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“O Senhor vê o coração”

A cegueira é a escola que forma bárbaros e medíocres

A temática da luz é recorrente nos evangelhos, pois trata da essência de Deus. Jesus é a luz do mundo, que dissipa o oculto e revela a glória. No episódio marcante da cura do cego de nascença (Jo 9,1-41), ele responde aos discípulos que ninguém tem culpa pela situação do pobre homem. Lembremos que na época de Jesus, as enfermidades e os sofrimentos eram vistos como sinais de pecado. Mas, o próprio Senhor desmonta essa concepção e nos ajuda a entender que na vida somos afligidos de todas as formas, porém não é culpa de Deus. Deus permite que aconteçam e está sempre nos acompanhando. As correções da vida fortalecem as decisões retas e predispõem ao sagrado.


O caminho pedagógico que Jesus fez com o cego é belíssimo, amoroso. Ele foi encontrado na periferia, na carência da luz e devolvido ao meio após ser lavado e purificado de sua cruel história. Nada é feito sem o consentimento e tudo acontece no tempo da liberdade. Abrir os olhos é alçar voo para o horizonte da fé ilimitada que sai de um reduto e contempla o macro. De posse da luz, o coração pulsa pelo mistério, se contagia pela alegria e não para até que todos sejam curados.


A cegueira é a escola que forma bárbaros e medíocres; se alimenta sempre do submundo vazio, fútil, egocêntrico; suga a bondade e a transforma em dependentes de sistemas. Jesus usa barro e saliva, moldando novamente o ser humano, tirando-o do caos e redefinindo o seu status. Tira a “catarata” dos olhos e mostra que a linha da existência vai além dos impedimentos. Nossos olhos foram feitos para contemplar a beleza de Deus e denunciar o vasto campo das trevas.


Este sinal de Jesus é mais um presente para rompermos com a nossa cegueira distraída por programas que alimentam nossa covardia e nos fazem regredir na fé. Fiquemos espertos, pois o Senhor passa em nosso caminho a qualquer instante e poderá nos encontrar dormindo. Perderemos então, a luz. O cego estava atento e sentiu a presença do misericordioso. Deixou o milagre acontecer. “Vivei como filhos da luz, porque o fruto da luz é a bondade, a justiça e a verdade. Procurai sempre o que mais agrada ao Senhor” (Ef 5,8-14).


Paz e bênçãos!

Por Pe. Nilton Cesar Boni, cmf

Missionário Claretiano, sacerdote, formador do Filosofado Claretiano em Belo Horizonte/MG

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