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Atualização dos pecados

Raramente alguém pede perdão pelos pecados modernos

Foto: Pixabay


A teologia dos 10 mandamentos sempre é atual. O decálogo contém um código de condutas morais em relação a Deus e ao próximo. No entanto, sem a justa formação neste campo, corre-se o risco de interpretar a lei de forma abstrata e utilitarista. A reta consciência cristã é formada pelo 1º mandamento: “amarás o Senhor teu Deus”. “O primeiro dos preceitos abrange a fé, a esperança e a caridade; e proíbe honrar outros deuses” (Catecismo 2086,2110). Com isto, podemos refletir sobre o pecado como ofensa e afastamento da graça de Deus provocado por escolhas pessoais. Deus dá a cada um a inteligência para o bem e infunde o Espírito na mente a fim de iluminar as decisões. Mas, o humano abre portas ao desconhecido e o hospeda crendo em suas falácias. Quando cai a ficha de que deixou o ladrão entrar e foi assaltado em sua dignidade, então vem a culpa, que é também, a possibilidade de volta ao primeiro amor, ao Deus Único.


Neste sentido, é louvável a atitude de quem atualiza sua lista de pecados para sair de uma piegas reflexão e transcender ações. Ler os mandamentos nos dias de hoje exige coragem, determinação, maturidade para mergulhar nas trincheiras da consciência e iniciar o caminho de volta. O pecado faz com que o coração se perca diante dos deuses. Precisamos nomeá-los para sair dos esquemas predatórios. A lista dos pecados atuais é longa e bebe na fonte da ausência de Deus. Por exemplo, estamos imersos na era tecnológica que traz novas linguagens e formas de comportamento e este tema aparece muito pouco nas confissões.


Raramente alguém pede perdão pelo pecado das ‘fake news’, por seguir gurus da internet, crer em ideologias contrárias à fé. Pouco se fala da intolerância, quase nada do racismo e do preconceito, da contribuição com a pobreza e dos atentados contra a natureza, do desrespeito com as diferenças. Estes temas estão bem ocultos, em estado de fuga. Mas quem conhece os mandamentos deve encará-los. Por isso, nossa catequese é lastimável. Passamos um verniz nas anomalias do mal, o que para muitos dá a sensação de bem-estar e consciência tranquila. Talvez seja este nosso maior pecado: relativizá-lo. Paz e bênçãos!

Por Pe. Nilton Cesar Boni, cmf

Missionário Claretiano, sacerdote, formador do Filosofado Claretiano em Belo Horizonte/MG

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