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A cultura do encontro e os indígenas

Ter o coração aberto para novos costumes

Foto: Joka Madruga/Fraterno72


Durante o 13º Mutirão Brasileiro de Comunicação, foram realizadas diversas oficinas, incluindo uma que abordou a relação entre o catolicismo e os rituais indígenas, ministrada pelo padre salesiano Justino Sarmento. Ele é doutor em antropologia e do povo Tuyuka em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas.

A cultura do encontro refere-se à abertura e ao diálogo entre diferentes culturas, reconhecendo e valorizando a diversidade presente nas sociedades. No contexto dos povos originários, a cultura do encontro implica compreender, respeitar e aprender com as tradições, rituais e visões de mundo desses povos, sem impor valores ou julgamentos prévios.


Caminhos e rios

Padre Justino faz uma analogia entre nossas vidas e os caminhos, assim como os rios, onde uns vão e outros vêm. Ele ressalta a necessidade de estarmos atentos aos encontros que podem enriquecer nosso caminhar.

Ele destaca que os povos originários estão presentes em várias esferas da sociedade, como no ministério sacerdotal, nas academias, na política e em muitos outros lugares. Essa presença é resultado de encontros significativos que tiveram com pessoas que os motivaram.

Foto: Joka Madruga/Fraterno72

Compreender o diferente

O padre também aborda os ataques que os indígenas e seus apoiadores sofrem nas redes sociais, ressaltando que as redes podem ser perigosas, aprisionando e até mesmo causando danos. Ele destaca a necessidade de combater a polarização com fraternidade, formação e informação.


Padre Justino enfatiza a importância de termos o coração aberto para novas culturas e costumes, sem julgamentos. Ele compartilha um exemplo do ritual Yanomami de cremação dos ossos de um parente, onde as cinzas são transformadas em um mingau com uma variedade de banana local e distribuídas entre familiares e líderes de outras comunidades aliadas. Ele participou desse ritual e explica que, para os Yanomami, essa é uma forma de homenagear seus entes queridos, acreditando que eles permanecem vivos em seus corpos.


Infelizmente, recentemente, uma "fake news" amplamente divulgada nas redes sociais pelo ex-presidente Bolsonaro acusou os Yanomami de serem canibais, afirmando que eles cozinhavam os mortos. Isso evidencia a dificuldade em compreender uma cultura diferente daquela com a qual estamos familiarizados.

Não ter preguiça


Padre Justino ressalta a importância de não termos preguiça de escrever, especialmente ao documentar a vida das comunidades, buscando sempre a verdade. Ele destaca a necessidade de comunicar as lutas dos povos originários, especialmente em relação aos seus territórios, ocupando os espaços das paróquias para sempre se posicionarem a favor da vida.

Sacramentos

Quanto à relação da Igreja Católica com os povos indígenas, ainda há desafios a serem enfrentados, principalmente no que diz respeito aos sacramentos. Algumas congregações católicas na Amazônia respeitam o tempo necessário para que os indígenas aceitem o batismo, permitindo que vivam sua espiritualidade em comunhão com suas próprias crenças e religiosidade. O batismo é realizado apenas quando os indígenas sentem a necessidade de recebê-lo.

Em certas regiões do norte do Brasil, a Igreja Católica tem desempenhado um papel importante na formação política dos povos originários, oferecendo cursos, seminários e até mesmo traduzindo a Bíblia Sagrada para suas línguas, contribuindo para que possam lutar por seus direitos.

Foto: Joka Madruga/Fraterno72

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