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"Tocar a carne de Jesus"

Tocar a carne de Cristo significa descer do status de superioridade e acercar-se ao mais miserável

Esta expressão do Papa Francisco, exortando os cristãos a cuidar dos enfermos, vem de encontro com a cena do Evangelho sobre a mulher pecadora diante de Jesus (Lc 7,36-50). Ela humildemente, toca-lhe os pés e os lava, enxugando-os com os cabelos. E nesse momento sua vida é transformada pelo Misericordioso que não a julga, mas a alcança com seu amor.


Tocar a carne de Cristo significa descer do status de superioridade e acercar-se ao mais miserável. São muitos os corpos que precisam ser lavados e purificados e poucos os que se dispõem a servir. A atitude da mulher é muito semelhante ao da última ceia, quando Jesus inclina-se para lavar os pés de seus amigos. Em ambas as cenas, os gestos se dão ao redor da mesa, lugar sagrado onde a fraternidade se completa, lugar de festa, diálogo e perdão.


A mulher perfuma os pés de Jesus e suaviza o cansaço do pastor que arduamente caminha ensinando suas ovelhas a se libertarem dos espinhos e das quedas que a vida proporciona. Ela reconhece que Jesus é especial e encontrará nele acolhida. Ela não está preocupada com a quantidade de perfume derramado e tampouco se ele é caro. Ela quer dar o melhor tratamento ao Senhor, diferente do fariseu que o recebe sem ao menos dar-lhe o ósculo de boas-vindas e de Judas o traidor que só pensava no dinheiro, afinal um vaso de alabastro custava muito.


A mulher, prostrada no chão, certamente sentindo-se a mais pecadora, tendo todos os olhares punitivos sobre si, não disse uma palavra sequer, apenas silenciou, serviu e foi amada pelo Senhor. O amor não precisa de palavras e sim de gestos. Para tocar a carne de Jesus não é preciso nenhum show, não é um espetáculo; é antes de tudo doação, anônima, vista somente por Aquele que não julga, se compadece, ama, cura e salva.

A paz restabelecida pelo perdão é sinal de ressurreição. Vida nova é o que Jesus oferece. A fé a salvou. Uma fé madura que destrói as aparências, a vaidade e se enche de realeza quando se deixa tocar pela graça de Deus.


Que a exemplo dessa mulher, sintamos a necessidade de “tocar na carne de Jesus” que se revela no abandonado, no doente, no que vive a crise de sentido da vida. Todos somos pecadores e carentes do amor de Deus, por isso abramos o coração para que a ternura do bom Cristo nos encha de paz. A Misericórdia sempre alcança a miséria e a transforma.


Paz e bênçãos!


Por Pe. Nilton Cesar Boni, cmf

Missionário Claretiano, sacerdote, formador do Filosofado Claretiano em Belo Horizonte/MG

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