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O semeador saiu para semear

Somos terreno fértil ou estéril, semente saudável ou estragada

A parábola do semeador como é conhecida (Mt 13,1-23) nos convida a olhar a Palavra de Deus com atenta sabedoria. Normalmente, sempre lemos o texto desde a ótica da semente e do terreno em que ela cai, mas devemos dar ênfase também àquele que semeia. O semeador é tão importante quanto a semente, estão unidos, se completam. Na cena evangélica, o semeador que não tem nome e pode ser cada cristão, é uma pessoa confiante que sai espalhando a semente em abundância, sem preocupar-se onde ela cairá. Ele possui uma confiança surpreendente e oblativa no florescer da pequenez. Tem consciência de seu labor proativo e não desperdiça seus dons.


A mesma postura tem Jesus no Evangelho e em todo o seu ministério. Ele lança a Palavra, pois ele é o Verbo encarnado e sabe que ela não será estéril: “não voltará para mim vazia; realizará tudo o que for de minha vontade” (Is 55,11). Na atual conjuntura social em que as pessoas estão mais preocupadas com suas colheitas sem antes terem sequer plantado e, levando em conta a crise religiosa que atravessamos, podemos pensar que a evangelização perdeu sua força ou em tantos lugares está morta, quando na verdade, o nosso tempo é de plantar e não de colher. Talvez nós semeadores estejamos lançando a semente de maneira incorreta por causa de nosso contratestemunho e das incoerências que desvirtuam a seiva da Boa Nova e nos tornam prisioneiros dos nossos comodismos.


Ao mesmo tempo em que somos campo, também somos semente. Somos terreno fértil ou estéril, semente saudável ou estragada. Em qual categoria nos encaixamos? Podemos ser os atentos do caminho, os distraídos ou os esquecidos. A semente pode cair na dureza do nosso coração, na aridez de uma espiritualidade sem nexo com a vida, nos espinhos que sufocam por causa das preocupações e desejos pessoais ou germinará no terreno pelo qual passou Jesus. Se nossa terra for cultivada por Cristo e o grão tocado por seu amor, produziremos um jardim de bênçãos. Como bem escreveu Santo Atanásio “ao homem cabe semear; a Deus dar o crescimento”. “Toda a criação está esperando o momento de se revelarem os filhos de Deus” (Rm 8,19).


Paz e bênçãos!

Pe. Nilton Cesar Boni, cmf

Missionário Claretiano, sacerdote, formador do Filosofado Claretiano em Belo Horizonte/MG

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