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A cruz no meu caminho

Cristo tem sido uma cruz no caminho de quem vive um batismo de fachada e frequenta a Igreja das conveniências

Jerusalém estava lotada naquela grande sexta-feira da Paixão. Tinha multidões de todo lugar misturada aos religiosos e aos curiosos. Havia ali o grupo de cristãos que desde a Galiléia seguia o Mestre e eram convictos de sua oferta. A cidade estava tensa por causa da Páscoa judaica, muitos preparativos, sentimentos e fé. Dias antes, o Mestre entrou solene na cidade santa, celebrou a ceia e foi traído, condenado, julgado, levado ao calvário carregando o prêmio dos malfeitores: a cruz. O povo acompanhou, aplaudiu, condenou, insultou. Estavam fervorosos com sua morte esquecendo da festa judaica por excelência. A cruz desviou os olhares e puderam se admirar com o espetáculo da dor do inocente. E muitos eram seus seguidores, eram cristãos!


Não me admira que nos dias de hoje, a celebração da paixão do Senhor também aglomere tantos cristãos em torno da cruz, afinal, ela é um símbolo de atração e identidade. Porém, a realidade não é tão distante de 2 mil anos atrás. Hoje são os cristãos que crucificam o seu Mestre. Jesus se tornou para muitos a cruz no caminho, o empecilho contra o sucesso, pois “anunciar a Boa-Nova aos pobres, sarar os contritos de coração, anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, pôr em liberdade os presos” (Lc 4,18-19) é ofender os ricos, as autoridades, os poderosos, a dita tradição.


Os levantes ao Senhor e à sua Igreja contra seus representantes, é um claro sinal de que temos em nosso meio muitos cristãos-Judas, traidores do sagrado batismo, vendidos por pouco, por palavras advindas do espírito diabólico dos que semeiam ódio ao Cristo. Ele cotidianamente está sendo pregado na cruz do descaso, pois seu Evangelho já se tornou para tantos seguidores apenas um livro cujo conteúdo é romântico e utilitarista.


Sim, Cristo tem sido uma cruz no caminho de quem vive um batismo de fachada e frequenta a Igreja das conveniências. Hoje é o dia em que muitos destes pseudocristãos vem aos templos para aliviar a consciência. Não estarão na ressurreição e seguirão exigindo de Cristo que os tire de suas cruzes nas horas de desespero. Jesus não negocia a graça. Ele é Deus!


Paz e bênçãos!


Pe. Nilton Cesar Boni, cmf

Missionário Claretiano, sacerdote, formador do Filosofado Claretiano em Belo Horizonte/MG


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