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Comunicar não é informar

Comunicação é ser, agir e fazer

Foto: Joka Madruga/Fraterno72.net


Considerando o que nos orienta o Diretório de Comunicação e as pesquisas consolidadas na área, comunicação é um termo abrangente que não pode ser reduzido ao conjunto de técnicas ou transmissão, que se caracteriza pela informação.


Segundo um dos principais teóricos da comunicação no mundo, Dominique Wolton, a comunicação é SER, isto é, busca identidade e autonomia; é também FAZER, ou seja, reconhece a importância do outro, vai ao encontro dele. A comunicação é também AGIR, nos mobiliza e nos envolve, como já vimos, a atuar no mundo de modo a construirmos os laços que nos vinculam enquanto seres humanos e sociedade.


Para o pesquisador e teórico Ciro Marcondes Filho, a comunicação não é simplesmente informação, transmissão, passagem de algo a outro, deslocamento, transferência, como se fosse um objeto que eu pegasse de um lado e pusesse em outro, como eu faço com as fichas de um jogo; como se fosse possível eu retirar uma ideia, uma sensação, uma impressão, um sentimento de dentro de mim e abrir a cabeca da outra pessoa colocá-lo lá dentro.


Em outra passsagem, o Wolton enfatiza ainda que a comunicação, em contrapartida, supõe um processo de apropriação. Comunicação, portanto, não é apenas produzir informação e distribui-la, é também estar atento às condições em que o receptor a recebe, aceita, recusa, remodela, em função de seu horizonte cultural, político e filosófico e como responde a ela. A comunicação é sempre um processo mais complexo que a informação, pois se trata de um encontro com um retorno, com o outro e, portanto, com um risco. Transmitir não é sinônimo de comunicar.


O que o conceito de comunicação nos aponta? Que é preciso ir além da dimensão técnica, é preciso enxergarmos na comunicação, na sua dimensão mais profunda e ampla, que é comunhão, vínculo, relação como vimos no conceito etimológico. E o Diretório nos introduz nessa interatividade com tudo o que nos cerca porque “Não somos frutos do acaso. Fazemos parte de uma história que se desenrola sob o olhar amoroso de Deus”.1 Esse olhar perpassa toda a Sua ação na História da Salvação, em um processo contínuo de comunicação” 2.


Tal conceito nos põe na trilha para alcançarmos a verdadeira comunicação com Deus, conosco, com o próximo e com o mundo que nos cerca. Portanto, não esqueça: a comunicação cria comunhão, estabele vinculos de relações, promove o bem comum, o serviço e o diálogo na comunidade.


Ir. Élide Maria Fogolari

Pertence a Congregação das Filhas de São Paulo (Irmãs Paulinas), Mestra em Ciências da Comunicação pela ECA/USP e Jornalista.



1Pontifício Conselho Justiça e Paz, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 15.

2Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, 2014, artigo 37

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