A força maior que nos conduz
- Joka Madruga

- há 2 dias
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Evangelho (Jo 6,35-40) 22/04/2026
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 35 "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede. 36 Eu, porém, vos disse que vós me vistes, mas não acreditais. 37 Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei. 38 Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39 E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. 40 Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia".

Uma singela reflexão, por Irmão Gutto Wendler*
Às vezes, no meio dessa correria que não me deixa respirar, eu paro e percebo o quanto minha alma está seca. O mundo me cobra pressa, resultados e uma perfeição que eu não tenho, e eu acabo projetando isso na minha relação com Deus, como se Ele também estivesse com um cronômetro na mão esperando minha melhor performance. Mas quando olho para o que Jesus diz, o impacto é outro: Ele se apresenta como o Pão que não exige que eu esteja saciado para me alimentar, mas que me acolhe justamente na minha fome, naquela busca por um sentido que o trabalho, o dinheiro ou a agitação social nunca conseguem preencher.
O que mais mexe comigo nesse texto é essa teimosia de Deus em não me perder. Na vida real, eu me sinto descartável o tempo todo; se eu falho ou se eu paro de produzir, o mundo segue sem mim. Mas aqui o critério é o oposto. Jesus assume a responsabilidade de me guardar, de não deixar que as pressões da rotina ou as minhas próprias crises me desviem do meu lugar de origem. É como se Ele me dissesse que, mesmo quando eu me sinto fragmentado e espalhado em mil obrigações, existe uma força maior me recolhendo, me unindo e garantindo que nada da minha essência seja jogado fora.
Viver isso no dia a dia não é mágica, é um respiro de liberdade. É entender que a ressurreição não é um prêmio para o final da linha, mas uma certeza que me sustenta agora: a de que a morte, em todas as suas formas de desânimo, cansaço e vazio, não tem a última palavra sobre mim. Eu sou cuidado por uma vontade que é maior do que a minha própria exaustão. No fim das contas, a fé deixa de ser um peso na minha mochila para se tornar o chão firme que me permite caminhar, sabendo que, aconteça o que acontecer, eu já fui entregue às mãos de quem prometeu nunca me soltar.
Oração
Senhor, Tu conheces o barulho que faz aqui dentro e o quanto eu tento me bastar nessa agitação que me consome. Eu Te entrego hoje a minha fome de paz e a minha sede de ser aceito sem precisar de máscaras. Obrigado por não desistires de mim, mesmo quando eu mesmo me perco pelo caminho. Que a Tua promessa de me guardar me dê a coragem de descansar em Ti, sabendo que nada da minha vida será desperdiçado. Recolhe meus cansaços, cura minhas faltas e me faz entender, no silêncio do meu coração, que estar Contigo é, enfim, chegar em casa. Amém.











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