Ordem dos Frades Servos de Maria

Atualizado: 31 de Dez de 2020

Os Servitas (OSM) é uma ordem religiosa católica fundada em Florença, Itália, no ano de 1233, por sete ricos comerciantes, pertencentes à classe média emergente.




Florença vivia então um momento histórico áureo: sua população crescera rapidamente entre 1200 e 1250, passando de 40 a 80 mil habitantes, e sua moeda – florim de ouro – era a mais cotada no grande comércio internacional da época. As guerras contra Sena e Pisa, as excomunhões lançada pelos papas contra o imperador e seus seguidores e a luta contra os hereges não impediam à “Cidade de Lírio” de manter um comércio cada vez mais próspero. Os fundadores da ordem eram comerciantes de tecidos e lã.


Os Sete nutriam uma particular devoção a Nossa Senhora e eram membros de uma confraria chamada Associação-mor de Santa Maria. A pertença ao mesmo ramo de negócios e à mesma classe social, e a comum devoção à Virgem Maria, levaram os Sete Primeiros Pais a se unirem com laços de profunda amizade.


Diante de uma situação social de guerras e intrigas entre facções conflitantes – por um lado, os guelfos, partidários do papado; e por outro lado, os gibelinos, partidários do império germânico, os Sete Primeiros Pais quiseram dar um testemunho de unidade e de paz, isto é, de que era possível viver como irmãos.


Por isso resolveram abandonar seus negócios e famílias e, dispostos a não guardar nada para si, venderam os seus bens, deixando o suficiente para suas famílias e distribuindo o resto aos pobres. Depois, reuniram-se em comunidade numa casa abandonada na periferia da cidade, que mais tarde se chamaria “Santa Maria de Cafaggio”, onde está hoje o célebre Santuário da Santíssima Anunciada.


Nessa casa, viviam como se fossem “um só coração e uma só alma”, levando uma vida austera, dedicada à oração, à contemplação, à penitência, à mendicância e às obras de caridade em favor dos pobres e doentes.


A Virgem Maria era a grande inspiradora do novo grupo religioso que nascia. Por isso, assumiram o nome de “Servos de Santa Maria”.


O estilo de vida que adotaram logo despertou no povo admiração e respeito. Muitas pessoas acorriam à pequena casa de Cafaggio para vê-los, rezar com eles e pedir conselhos. Mas os Sete, desejando levar uma vida mais solitária e contemplativa, em 1245, fizeram mais um passo no seu caminho religioso e retiraram-se para o alto do Monte Senário, a 18 quilômetros da cidade. Lá construíram uma casa rústica para morar e um oratório dedicado a Santa Maria.


Monte Senário é ainda hoje o ponto de referência de todos os Servos e Servas de Maria espalhados pelo mundo. É lá que se encontram as relíquias dos Sete Santos Fundadores. E é para lá que frades, irmãs e leigos ligados à Ordem acorrem com frequência para transcorrer momentos de oração, reflexão e estudo, desejosos de colher na fonte original a linfa que nutre a genuína espiritualidade da Ordem.


Mas, voltando às origens, também em Monte Senário, muitas pessoas começaram a visitar os Sete Primeiros Pais, atraídas pela santidade deles. Com o passar do tempo, alguns pediram para ser admitidos em sua comunidade, dentre eles São Filipe Benizi, que viria a ser mais tarde o grande defensor, organizador e propagador da Ordem.


A partir daí, o grupo foi crescendo e novos conventos foram sendo abertos, até que, graças aos esforços do prior geral São Filipe e do seu sucessor frei Lotaringo, com a bula “Dum Levamus”, aprovou a nova Ordem religiosa que, a partir de então, passou a ser conhecida como “Ordem dos Servos de Maria”.


Os Sete Santos Fundadores, proclamados pela liturgia como “ministros da unidade e da paz”, foram canonizados juntos, como se fossem um só – exemplo único na história da Igreja – pelo papa Leão XIII, em 1888. O papa canonizou os Sete com os nomes de Bonfilho, Bonajunta, Maneto, Amadeu, Hugo, Sóstenes e Aleixo.


Mas isso pouco importa. O grande testemunho que eles deram não foi como indivíduos, mas como grupo, como comunidade, onde eles viveram como se fossem “um só coração e uma só alma, voltados para Deus” e como “ministros da unidade e da paz”.


Fonte: Servitas do Brasil

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