Nossa Senhora Rainha sem Pecado Original

Atualizado: 29 de Nov de 2020

por Pe. Joãozinho, SCJ

Foto: Joka Madruga

A nona das doze invocações de Maria como “Rainha” saúda a Mãe de Deus como “Rainha concebida sem pecado original”, em latim Regina Sine Labe Originali Concepta. O final da ladainha acena para um dos principais dogmas marianos: ela foi preservada do pecado original. Mas qual o sentido deste dogma?

Antes é preciso recordar quais são os quatro dogmas que se referem a Maria: 1. Virgindade Perpétua; 2. Maternidade Divina; 3. Imaculada Conceição; 4. Assunção ao céu. Os dois primeiros dogmas foram definidos na Bíblia e reconhecidos pela Igreja ao longo do primeiro milênio. Os dois últimos são definições recentes da Igreja. Nenhum deles está preocupado em definir a identidade ou os méritos de Maria. Todos os dogmas marianos, na verdade são cristológicos, ou seja, defendem a natureza de Jesus Cristo como Verbo Encarnado, verdadeiramente humano e divino. Isto é importante, pois, como dizia Santo Irineu já no século 2, “o que não foi assumido, não foi redimido”. Se a encarnação foi uma farsa, então não fomos salvos pelo sacrifício de Cristo na cruz.

No início do cristianismo algumas pessoas achavam que Jesus era simplesmente homem com aparência de Deus. Outros achavam que era Deus com aparência de homem. Era difícil acreditar que Deus infinito e onipotente pudesse se encarnar… assumir os limites de um Galileu de Nazaré! Por isso, a Igreja no Concílio de Calcedônia teve que afirmar que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sem confusão nem separação.

Ao dizer que Maria concebeu do Espírito Santo, ou seja, na virgindade, os evangelistas defendiam que Jesus não era somente humano; era Filho de Deus pela ação direta do Espírito Santo. Portanto, o dogma da “virgindade de Maria”, na verdade afirma a divindade de Jesus!

Ao dizer que Maria é Mãe de Deus (Theotokos) a liturgia dos primeiros séculos queria afirmar que entre a natureza humana e divina de Cristo não poderia haver separação. Maria é mãe do Cristo inteiro; ou seja, a natureza divina realmente assumiu (e salvou) a natureza humana. Portanto, o dogma da “maternidade divina” de Maria, na verdade afirma a humanidade de Jesus enquanto Deus!

Mas e o dogma da Imaculada Conceição? Esta verdade de fé demorou muito para ser aceita pelos teólogos. Mesmo Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino tiveram dificuldades de entender a Imaculada Conceição. Se Maria tivesse nascido sem o pecado original, do que então teria sido salva? Ela teria sido a única criatura que não precisou do sacrifício redentor de seu filho? É claro que não.

Na verdade o povo e a devoção popular acreditavam neste dogma bem antes da sua definição oficial por parte da Igreja. Veja que a imagem que veneramos em Aparecida é a da Imaculada Conceição. Lembre que foi encontrada no Rio Paraíba no século 18 e o dogma da Imaculada Conceição foi definido pela Igreja somente no século 19.

A solução para este enigma é simples. Aos poucos os teólogos foram entendendo que a salvação oferecida em Cristo é mais do que simplesmente redimir dos pecados. Maria não pecou, mas teve que ser recriada em Cristo; nele todos somos regenerados… gerados novamente para uma vida nova. O dogma da Imaculada Conceição mostra que antes do pecado original existia a graça original. Fomos criados sem defeito de fabricação. Um dia seremos novamente imaculados. Não teremos mancha. Maria nos precede na ordem da graça. Na que foi “cheia de graça” não haveria espaço para a desgraça.

Devemos caminhar para esta meta. O céu também é conquista. A graça vai nos tornando plenos até ficarmos imaculados.

Rainha concebida sem pecado original, rogai por nós!

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