Nossa Senhora de Balsamão


12 de abril

As raízes do Santuário de Nossa Senhora de Balsamão assentam, provavelmente, nos tempos da Reconquista Cristã, ainda que a primeira data até agora conhecida seja o ano de 1212. Chamava-se em tempos “Monte Carrascal”. Aqui se instalaram os mouros donde subjugavam os cristãos com pesados impostos, entre os quais figurava o vergonhoso Tributo das Donzelas, que consistia no fato de que, sempre que houvesse um casamento, a noiva tinha que passar a noite de núpcias no castelo, com o Emir, chefe dos mouros.


A lenda de Balsamão faz parte da libertação dos cristãos de tamanha injúria. Certo dia, realizou-se um casamento em Castro, a uns 15 kms de Balsamão. Ao sair da Igreja, como era costume, a noiva foi raptada. Porém, desta vez, os homens e os jovens, às ordens do noivo, partem para o sopé da montanha, gritando: “Queremos ver a cara ao mouro”. O Emir, escarnecendo, envia-lhes um ridículo punhado de guerreiros, mas logo se vê obrigado a reforçá-los. Os cristãos enfrentam com força, mas, não resistem muito tempo e começam a desfalecer. Todavia, a certa altura, notam no campo uma Senhora, vestida de enfermeira, chegada misteriosamente, a limpar as feridas depondo nelas um pouco de bálsamo que trazia nas mãos e desaparecendo em seguida.


Convencidos de que era a Mãe de Deus, atiram-se confiantes, até que se ouviu um grito vindo das muralhas: “vitória, vitória!”. Os Cavaleiros das Esporas Douradas da vila de Alfândega que tinham subido pela outra encosta decapitaram o Emir e salvaram a noiva. Durante toda a noite festejaram o triunfo. Celebrou-se Missa na Capela em honra de Nossa Senhora do Bálsamo na Mão. E desde esse dia nunca mais cessaram as romarias ao Santuário da Defensora da Honra do Lar, da Padroeira dos Noivos, da Divina Enfermeira.


Sabemos que, durante a idade média, além do santuário, Balsamão foi sede administrativa.


A certa altura, constitui-se uma Confraria de 100 Irmãos eclesiásticos com o nome de "Confraria de Santa Maria de Balsamão", à qual o Papa Paulo V, a 30 de Junho de 1605 concede as indulgências habituais das outras Confrarias.


Da capela e da imagem que nela se venera disse o Bispo D. João de Sousa Carvalho, a 7 de Dezembro de 1720 e a 18 de Janeiro de 1725, respectivamente aos Papas Clemente XI e Bento XIV: "há, nesta diocese, uma imagem de Nossa Senhora, sob a invocação de Balsamão, que a fé dos católicos aclama, em alta voz, numa capela de magnífica arquitetura, recentemente reparada desde as ruínas ao vértice da mesma capela".


No século XVIIII, funda-se o hospício de Nossa Senhora de Balsamão cujo fundador é o leigo António Pires Corcas, natural de Outeiro (Bragança), antigo estudante de Direito na Universidade de Salamanca, com outros 11 leigos e 5 sacerdotes, iniciando-se assim com este grupo, a partir de 12 de Abril de 1746 a "Congregação dos Barbadinhos de Nossa Senhora de Balsamão" a quem fica a ser confiada a guarda do Santuário e a assistência aos peregrinos, vivendo em regime de estrita austeridade.


Estes eremitas eram Terceiros Franciscanos. Deve ser dessa altura a configuração da Igreja, com a divisão entre presbitério e corpo da Igreja, até às atuais obras da Igreja.


Em 1754, os Barbadinhos incorporam-se na Ordem dos Marianos da Imaculada Conceição, atraídos pela figura carismática do Venerável Padre Frei Casimiro Wyszynski.


Em 1834, com a expulsão das ordens religiosas de Portugal, por Joaquim Antônio Aguiar, o Santuário fica sem atendimento permanente.


Em 1954, regressam os Marianos a Balsamão e reconstroem o Convento, dando vida também ao santuário.

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