Nossa Senhora da Luz dos Pinhais

08 de setembro

Foto: Joka Madruga


Nossa Senhora da Luz dos Pinhais é a padroeira titular da Catedral Basílica, do Município e da Arquidiocese de Curitiba. O título "dos Pinhais" é um patrocínio próprio que a Arquidiocese recebeu sobre o título "Nossa Senhora da Luz" da Santa Sé Apostólica em 1995, quando também o papa São João Paulo II a proclamou padroeira do Município. Tal patrocínio é celebrado como Solenidade em toda a Arquidiocese na Festa da Natividade de Nossa Senhora, em 8 de setembro.


O título Mariano

A devoção a Nossa Senhora da Luz é de origem portuguesa, de meados do século XV (c. 1463). O humilde português Pero Martins, de Carnide (hoje distrito de Lisboa) foi levado como prisioneiro pelos árabes muçulmanos para o Magreb (norte da África). Em seu cativeiro, todas as noites rezava incessantemente à Santíssima Virgem Maria, pedindo que o livrasse da prisão. Atendendo a seu pedido, Maria apareceu-lhe em sonho por trinta noites consecutivas, prometendo a seu filho Pero Martins que o livraria da prisão no final destas trinta noites, sendo que na manhã seguinte este se encontraria em Carnide.

E assim foi feito: Pero Martins, na manhã do trigésimo primeiro dia encontrava-se em sua cidade natal, e foi cumprir o que lhe havia mandado a Santa Maria, de ir buscar uma milagrosa imagem sua junto à Fonte do Machado, onde muitos curiosos já viam, há cerca de um mês, uma misteriosa luz vir dali.

Pero Martins recolheu a imagem e colocou-a à veneração dos fiéis, onde foi construída uma igreja, incrementada artisticamente graças ao mecenato da princesa Dona Maria, filha do rei Dom Manuel I.


A devoção em Curitiba

A escolha de Nossa Senhora da Luz como padroeira de Curitiba foi dos primeiros povoadores, especialmente do paulista Suares do Vale, fugitivo de São Paulo, que deu nos “campos de Curityba” e depois de mandar trazer sua família, que veio acompanhada de outras grandes famílias, fez morada às margens do Rio Atuba (atual Parque Histórico de Curitiba). Junto do Atuba surgiu a Lenda da Fundação de Curitiba, que conta que a imagem da santa todos os dias amanhecia virada para onde hoje é a Praça Tiradentes. Os povoadores decidiram então se mudar para a região, pedindo ao Cacique dos Campos de Tindiquera que lhe indicasse o local adequado. O cacique, então, fincou uma grande vara no chão, exclamando “Core-tuba” (“muito pinhão), e ali os povoadores se assentaram, onde hoje é o marco-zero da cidade, construindo uma pequena capela dedicada à Virgem da Luz dos Pinhais por volta de 1654.

O patrocínio exclusivo de Nossa Senhora da Luz ‘dos Pinhais’ para Curitiba é advindo desta denominação da terra, cheia de pinhão, uma floresta de pinheirais/pinhais. A devoção particular foi reconhecida pela Santa Sé apenas em 1995, com decreto do papa São João Paulo II, em cujo mesmo decreto a declarou padroeira municipal de Curitiba; nossa cidade é uma das poucas no país cujo(a) padroeiro(a) municipal é declarado pelo Sumo Pontífice.

Foto: Joka Madruga


As imagens na Catedral Basílica

Desde os primórdios da colonização portuguesa na região de Curitiba, quando Ébano Pereira mandou uma expedição subir a Serra do Mar a partir de Paranaguá em busca do ouro de aluvião, os primeiros povoadores tinham especial devoção por Nossa Senhora da Luz. Desde a primeira capelinha, passando pela Antiga Matriz até a atual Catedral Basílica, Nossa Senhora da Luz vislumbrou o desenvolvimento e o progresso do povo curitibano e paranaense.

A primeira imagem, portuguesa, feita em terracota, foi trazida pelos colonizadores na primeira metade do século XVII. Ocupou o trono na antiga capelinha e hoje é parte do acervo do Museu Paranaense.

A segunda imagem, de madeira com pintura policromada, também portuguesa, foi mandada trazer em 1716, quando aproximava-se a inauguração da Antiga Matriz (c. 1720), edificada no terreno onde hoje é a Catedral Basílica. Perdida no início do século passado e reencontrada na Lapa na década de 1970 na casa de uma moradora, hoje é parte do acervo do Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba.

A terceira e atual imagem, que ocupa o trono central no Altar-mor da Catedral Basílica, foi feita em Portugal no início da segunda metade do século XIX. Em madeira de pinho de riga, é de qualidade e beleza artística singular. Possui ganchos nas orelhas e furos nos pulsos, para que, próximo de sua festa (a 8 de setembro), as damas piedosas adornassem a imagem com suas preciosas jóias pessoais. A data exata da chegada da imagem em Curitiba não é precisada; contudo, é sabido que em 1889, nos estandartes da Festa da Padroeira já era utilizada a atual imagem, dita fac-símile da original do milagre português do século XV, um pouco maior.

Em 10 de setembro de 1974, a imagem foi derrubada de seu trono no Altar Mor por um atentado. Quebrada e seriamente comprometida, a imagem foi recolhida e posta à restauração. Recortes jornalísticos da época levam a presumir que, durante esse processo de restauração, que durou cerca de um ano, a pintura original foi substituída pela atual. A antiga pintura trazia a Senhora da Luz vestida de túnica bege, com manto azul e forro róseo. Por toda pintura vislumbrava-se preciosos detalhes dourados, provavelmente em técnica que utiliza folha de ouro. Quando da entrega dos trabalhos de restauração da imagem em 8 de setembro de 1975, esta já apresentava a atual configuração.

Na madrugada de 13 de fevereiro de 1984, a imagem do Menino Jesus trazida nos braços pela Senhora da Luz foi roubada e até hoje não foi encontrada, juntamente com duas coroas de prata que adornavam a imagem e uma cruz, igualmente em prata, para procissões. Na Noite de Natal de 1984, uma nova imagem substituiu a anterior, feita de resina e doada pelos festeiros da Igreja da Ordem, a partir de um molde disponibilizado pelo Museu do Louvre, de Paris.

Foto: Joka Madruga


Fonte: Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais

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