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Nossa Senhora da Franqueira

Segundo domingo de agosto

Este Santuário Mariano, segundo a tradição, tem a sua origem numa pequena ermida que não seria mais do que a actual capela-mor e teria sido mandada erigir por D. Egas Moniz, tutor do primeiro Rei de Portugal, em cumprimento de uma promessa.


Na construção da nacionalidade portuguesa, os conflitos entre D. Afonso Henriques, então Príncipe do Reino e sua mãe, D. Teresa, a Rainha, eram frequentes. D. Teresa, irmã da Rainha de Leão, a quem prestava vassalagem, favorecia a nobreza leonesa em detrimento da portucalense. Segundo documentos autênticos, D. Afonso Henriques estava acolhido no Castelo de Faria, situado num dos cabeços do Monte da Franqueira, com o objectivo de formar e preparar o exército com que defrontaria os apoiantes de sua mãe.


D. Egas Moniz, ciente de que tal confronto iria opor pessoas do mesmo sangue, apelou à bondade da Virgem para que essa batalha não se efectuasse, prometendo que, uma vez alcançada a graça, mandaria erigir uma ermida sob a evocação, segundo alguns, de Nossa Senhora das Neves e, segundo outros, de Nossa Senhora do Rosário. A batalha não se deu e, D. Egas Moniz, perpetuando o favor recebido, cumpriu a sua promessa.


Referências Históricas e Curiosidades

Sobre o altar diz-se que, D. Afonso, 1º Duque de Barcelos, na hora de tomar para si os despojos de guerra que Portugal travara em Ceuta, mandou arrancar do Palácio de Collun-Ben-Cayla várias colunas de mármore e a mesa em jaspe, onde comia o governador muçulmano Salat-Ibn-Salat para, com o conjunto, o elaborar e oferecer a Nossa Senhora. Hoje, a mesa, por possuir dimensões insuficientes para o culto, está encastrada numa laje de granito da região suportada por três das colunas primitivas e constitui a relíquia histórica do Santuário


Não há memória do paradeiro da primeira imagem existente no Santuário mas, na Igreja Matriz de Santa Maria Maior de Barcelos, existe uma formosíssima imagem gótica trecentista da Virgem coroada com o menino, em madeira, que sendo uma rara preciosidade, foi levada no século XVIII da capela no Monte da Franqueira para a referida Igreja Matriz, aí ficando até ao presente e sobre a qual o conceituado estudioso de arte sacra, Rev. Joaquim da Costa Lima fez já uma erudita conferência.


A imagem de Nossa Senhora do Rosário do Monte da Franqueira que actualmente ocupa a peanha que está colocada por de trás do altar-mor é uma escultura em madeira, do século XVIII e possui uma coroa em prata, ouro e pedras semi-preciosas, que os proprietários e operários da Fábrica Guial, de Barcelos, ofereceram e foi solenemente colocada, em 7 de Agosto de 1958, pelo Arcebispo Primaz de Braga, aquando da Peregrinação Arciprestal e celebração do quarto centenário da fundação da Confraria de Nossa Senhora do Rosário da Franqueira


Segundo refere Teotónio da Fonseca, no seu livro “Aquém e Além Cávado”, “na parede do lado do evangelho, junto à porta travessa, vêem-se três placas com inscrições. Na primeira: “Recordação da 1ª Peregrinação à Virgem da Franqueira, promovida pelo Circulo Católico de Barcelos 27-9-1908”; na segunda “4ª Peregrinação à Franqueira, promovida pelo grupo dos Estudos Sociais Alcaides de Faria -29-9-1918”; e na terceira “Recordação da 5ª Peregrinação em que tomou parte pela primeira vez a imagem de Nossa Senhora da Franqueira, promovida por um grupo de Artistas de Barcelos, 5 de Setembro de 1926, Comissão Arcipreste P.e Rio Novais, prior de Barcelos, P.e Joaquim Gaiolas, Francisco de Sá, José R. Pereira, João D. Pereira, João Baptista Miranda, Celestino do Nascimento, Joaquim G. dos Santos, Francisco J. Alves, João G. Fernandes Braga. ” Estas placas existem, mas encontram-se hoje guardadas na Confraria que zela pelo Santuário, devido ao seu valor essencialmente histórico.