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Congregação das Auxiliares do Sacerdócio



Nas montanhas da Sabóia, na fronteira entre França e Itália, morava uma jovem chamada Marie.


Vivia com os pais num povoado que tem um nome bonito: “AIME”. “AMA!” em português.

Os pais tinham uma terra e o pai estava tabelião na pequena cidade no fundo do vale.

Somos no ano 1911, quando nasce a menina, época marcada por muitas tensões entre o Estado e a Igreja. Leis foram criadas para tirar os bens da Igreja. Os padres da região, muitas vezes pobres, encontram na família de Marie casa aberta e acolhida compreensiva.


Neste ambiente que marcou a menina, Marie cresce alegre, esperta e prestativa. Desde jovem, assume a catequese na paróquia e visita as pessoas carentes.


Quando as religiosas da escola precisaram fugir da França, ela substituiu as Irmãs.

Se fosse tão natural, não valeria a pena contar esta história! Marie desde pequena fazia um apelo: “Meu Deus, arranque de mim tudo aquilo que não é unicamente você!”.

Natal 1911. Marie tem 25 anos. Esta noite deveria ser na igreja com a comunidade paroquial, mas, está com forte dor de garganta. O inverno na montanha é muito frio. Com neve e vento, não seria prudente sair. Ela vai rezar em casa.


Contará mais tarde: “Fui movida por um forte impulso e uma luz irresistível”. Ela se levanta, toma um papel qualquer na mesa e escreve, de vez, o projeto de “UMA OBRA PARA O SACERDÓCIO”.  Ao reler aquilo que estava acabando de escrever, Marie se admira e exclama: “Nada igual existe, mas deve existir!” Nesta noite da Natividade, algo está nascendo no coração da jovem. Ela sente que Deus chama a ela para levar este projeto à realização.


Marie Madeleine, a fundadora da congregação


“Nunca esqueci, nem um dia, nem uma hora, mas era coisa que devia amadurecer” Mm+

A guerra de 1914 estoura e muitos homens, entre eles os padres das paróquias do vale, deixam tudo para ir combater. Uma lista impressionante fica no monumento perto da igreja de Aime, com os nomes de todos aqueles que não retornaram. Marie organiza com outras mulheres um grupo que vai tricotar e enviar pacotes aos homens chamados e aos presos…


Momento de grande solidariedade. Cadê o projeto de 1911?


A semente está no fundo do coração e deve crescer na escuridão.


Marie perde os pais e decide de ir à capital desta região: Chambéry . Lá, participa de um grupo de jovens: As Noëlistas. Ela ensina, trabalha na biblioteca, continua a catequese… Não deixa uma oportunidade para crescer, progredir humanamente e espiritualmente. Ela deve se abrir a alguém sobre este chamado de Deus.


No papel escrito no  Natal, ela tinha apontado uma Obra com três grupos: uma congregação feminina, uma associação de pessoas consagradas na vida secular e um grupo de cristãos, homens e mulheres, vivendo da mesma espiritualidade de oferta com o Cristo sacerdote.


(Hoje, existe a congregação das Auxiliares do Sacerdócio, um instituto secular chamado “Vida e Fé”, e uma afiliação que começa a se concretizar no Brasil)


Somos de 1923. Congregação fundada após 12 anos de aprofundamento da vocação de uma fundadora. Com acompanhamento de sacerdotes atentos, em particular do padre Thellier de Poncheville. Para se formar a vida religiosa, Marie vai passar nove meses no mosteiro das Visitandinas de Paray Le Monial. Foi neste mesmo mosteiro que Santa Marguerite Marie recebeu a visão do Coração de Jesus. Marie Madeleine falara sempre do movimento do Coração Sacerdotal de Jesus.


Ela vai iniciar “a Obra” com duas amigas que se formaram na Visitação com ela. O bispo de Autun vai abençoar esta primeira casa no dia 17 de dezembro. Vai se chamar “Belém”  casa do pão, lembrança da primeira intuição de 1911.


O nome que vai identificar as irmãs: Auxiliares de Jesus Sacerdote, hoje Auxiliares do Sacerdócio.


Na profissão das primeiras 12 irmãs, Marie vai ser chamada Marie Madeleine de la  Croix.


O que marca este instituto: consciência e vontade de “Ser Igreja!” Não apenas individualmente, como pessoas consagradas pelo batismo, mas, solidariamente como Igreja. O movimento de Amor faz o Filho de Deus se encarnar para resgatar a humanidade e a conduzir ao Pai num Ato Sacerdotal de oferta e imolação. A fundadora não tem medo de utilizar esta palavra. Morte e ressurreição fazem parte do movimento sacerdotal.


Paradoxalmente, a Obra, como diz madre Marie Madeleine, não vai ter obras próprias. Ela vai se oferecer a Obra da Igreja de diversas formas e é assim até hoje. Por isso, não podemos caracterizar a congregação pelo que as irmãs fazem, mas pelo espírito que guia o grupo: um espírito de oferta, seguindo Jesus neste caminho, pés no chão e com um coração ardente, querendo viver o Evangelho. O lema, seguindo Nossa Senhora, primeira das Auxiliares do Sacerdócio: Simplicidade, Alegria, Generosidade.


“As Auxiliares do Coração Sacerdotal de Jesus são da Igreja e existem por Ela!” MM+

Como em toda criação de uma obra, tem momentos de escuridão. Aconteceu na congregação nos anos de 1924 e 1925 um problema na concepção de uma vida religiosa audaciosa proposta pela fundadora e criticada por outras pessoas. A graça foi a presença a Paray Le Monial da casa de formação dos jesuítas preparando os votos perpétuos. O bispo pediu às Auxiliares para entrar em contato com o responsável, o padre Monnier-Vinard e assim, desde o início, as irmãs receberam um apoio sem falhas dos jesuítas e uma formação inaciana colorando a doação a Jesus Sacerdote. O bispo confirmou o carisma e a autoridade de Marie Madeleine e o caminho continuou até hoje.


Por Irmã Cecília Biraud, no site da Arquidiocese de Salvador

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